sábado, 19 de novembro de 2011

Brasil envergonha, perde liderança no ranking e disputa pré-olímpico depois de 20 anos

Chega de apalpar e botar a panos quentes: a seleção feminina de vôlei fracassou na Copa do Mundo desse ano.  E criticar não é "falta de amor", mas noção de que tudo está errado e se não mudar, sequer precisamos sonhar com o título olímpico.

A campanha vergonhosa
Itália sagrou-se bicampeã da Copa do Mundo com um Brasil frágil e impotente

O Brasil terminou a competição em 5º lugar, atrás de Itália, Estados Unidos, China e Japão, uma classificação vergonhosa. E os resultados foram atípicos da, até então, melhor seleção de vôlei do mundo. Na estreia, os 3 sets a 1 contra os Estados Unidos, não serviram de aviso claro do que viria a seguir. Fato é que a seleção jogava melhor do que as americanas, mas na hora de concluir o 3º set, amarelo, perdeu a confiança e logo depois o 4º set e o jogo. Até contra o Quênia a vitória foi feia, mas contra a Alemanha, o Brasil fez um de seus melhores jogos. Na 2ª fase, mais vergonha: 3x2 contra Coréia e Sérvia B? A Coréia, com todo respeito é uma seleção de se bater por 3 a 0 e a Sérvia, veio desfalcada de Nikolic, Malagurski, Brakocevic, Rasic e Ognejovic, tendo a jovem oposta Bjelica de 19 anos, como principal jogadora do time. A Sérvia lutou muito mais do que o Brasil! Se imaginávamos que não poderia piorar, assistimos a 3ª fase: vencendo um 3x2 contra a China e perdendo pra Japão e Itália por 3 x 0. China, uma seleção que vem tentando se reerguer durante todo o ciclo olímpico e durante esses anos mal conseguiu um pódio. Japão, adversário conhecido do Brasil e sem novidades, apenas com seu jogo eficiente usando as mãos adversárias e defendendo muito e uma Itália desfalcada de duas titulares, coisa que o Brasil não soube lidar. E fomos a 4ª fase, com a obrigação de conseguir 9 pontos. E ufa, conseguimos! Um 5º lugar, a perda do topo no ranking, um pré-olímpico que não disputávamos desde 1991 e uma seleção instável para o futuro.

Por que uma das melhores seleções do mundo, de repente caiu a nível inferior a figurantes da atualidade como China e Japão? Abaixo, algumas "pistas" do que está havendo com a seleção feminina.

Sheilla não é uma das melhores do mundo
Sheilla carregou o Brasil em 2009 e 2010, mas passou vergonha em 2011

E isso tem que ser aceitável! O ano da oposta brasileira foi patético e se em 2009 e 2010 Sheilla carregava a seleção, esse ano sequer conseguiu delimitar a linha dos 3 metros. E não me venham com "título de MVP de campeonato americano", tem que mostrar jogo contra Estados Unidos A, Itália em ascensão, Japão completo.

Problemas pessoais são extra-quadra
Confusão entre algumas atletas é um dos pontos baixos da seleção feminina durante a temporada

Ninguém tem nada a ver com a vida pessoal das atletas, desde que elas não a tragam para dentro de quadra. E não é isso que vem acontecendo. A maioria de nós sabe que duas jogadoras brasileiras mal se falam na seleção e isso vem causando uma divisão do grupo. Repito, não temos nada com isso.

Quem perde não tem vaga cativa
Fabí e Sheilla começam todas as partidas como titulares

As levantadoras são sempre as primeiras a pagar o preço de quando o time vai mal. Dani Lins foi a primeira vítima, mesmo sendo notável que o problema era o ataque brasileiro. Depois vem as ponteiras, Mari e Paula saem se a troca de levantadoras não funcionar. Pode sobrar até pra Thaisa e Fabiana mas Sheilla nunca sai de quadra. POR QUE? Tandara é uma boa opção, mostrou isso no Grand Prix e em alguns jogos na Copa do Mundo, então, por que essa insistência com Sheilla? Fabí é outra; enquanto Brenda Castillo e Yuko Sano ditam como ser líbero, Fabí dá umas defesas na diagonal as vezes. A líbero tinha que ser espetacular para que sua reserva, Camila Brait, nunca entrasse em quadra. E Fabí, pelo menos no momento, não é.

Conduta duvidosa de Zé Roberto
Técnico brasileiro acumula surras táticas dos EUA e não promove substituições efetivas

Troca excessiva de levantadoras, posição garantida a algumas atletas e substituições de caráter duvidoso. Por que Zé Roberto não gosta de jovens talentos e prefere investir em jogadoras mais experientes? Por que Zé Roberto não consegue lidar com os problemas desse grupo? Falta liderança para o "chefe"?

Por que não convocar Priscila Daroit?
Priscila foi a principal jogadora do Brasil na Yeltsin Cup

Ponteira, jovem, boa passadora, boa atacante, boa defensora: raridade na seleção brasileira. Séra que depois do fiasco na Copa do Mundo, ZRG ainda vai insistir em não dar uma chance para a jovem gaúcha que carregou a seleção B à prata no torneio russo? Priscila foi pré-convocada para o torneio. Agora, é hora de uma convocação mais efetiva.

Esperança!
Bi-olímpico é sonho que ainda pode ser conquistado, mas requer mudanças

Que fique então a esperança que ano que vem, a seleção volte a ser a melhor do mundo, que traga o bi-olímpico e que cale as palavras desse blogueiro desesperado e apaixonado por esse time.